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METODOLOGIA DE ENSINO: UMA PERSPECTIVA PARA O SÉCULO XXI

 

                                                                          “Ensinar exige uma disponibilidade para amar. Existem vária formas de amar, uma delas consiste em dar, se expor, repassar, recriar, processar e redimensionar conhecimentos, pensamentos e opiniões visando sua transferência ao próximo, fazendo crescer as próximas gerações”.

Consolaro, A. 2002.

 

Um pouco desta história

 

Ensinar morfologia em suas diversas especialidades, significa reportar-se ao passado cujo registro histórico, entre muitas civilizações se destacam os povos da mesopotâmia que já praticavam uma “ciência complexa entremeada com religião e magia”. Relatos de pesquisas demonstram que em 2000 a.C. a medicina egípcia já tinha três ramos principais: médicos usando drogas, pomadas e porções; cirurgiões tratando ferimentos e os sacerdotes lidando com espíritos malignos e o sobrenatural.

Outros povos da mesopotâmia, os sumérios, amoritas, babilônios e assírios desenvolviam práticas nas quais plantas e outros remédios envolvidos em ataduras serviam de remédios e curativos. No período áureo da civilização egípcia, as múmias dos faraós e de suas famílias deixaram, para a história da morfologia, registros das técnicas de preparo, preservação e conservação de material biológico. Muitos associam as múmias com o Egito mais elas existiram em outras partes do mundo. 

 

 

Os primeiros preparos técnicos foram desenvolvidos para preservar os “representantes das divindades”, que entre os humanos seriam faraós ou reis e suas famílias. As técnicas morfológicas, no seu nascedouro, estiveram relacionados com o conceito do “sagrado”. A literatura sustentada que as trepanações eram feitas não só para liberar a mente dos demônios, como também para retirar-se o conteúdo da caixa craniana com a finalidade de preservar o corpo de um morto importante para a sua civilização.

 

A morfologia científica surgiu a partir do século XVII com muitas possibilidades de crescimento e aprimoramento de vários ramos da ciência. No século XX, houve um processo de aceleração da informação e esta passou a ser uma ferramenta importante para se atingir o objetivo de “poder fazer” ou “saber fazer” um trabalho técnico, uma atualização, um aprimoramento intelectual ou uma mudança de paradigma. É importante deixar claro aos técnicos e estudantes que nem todas as informações são interessantes. Na sociedade contemporânea acredita-se que poderá  vir a ser vencedor de si mesmo aquele que souber selecionar o que é bom para si e onde buscar. Ser pleno e realizado no mundo da informação significa assimilar saberes para seu bom desempenho pessoal, profissional, moral e espiritual. Se para isto o homem não for preparado haverá sobrecarga, estresse, depressão e infelicidade. As habilidades e competências que os gestores da educação, da pesquisa e das tecnologias buscam desenvolver com os alunos e orientados devem direciona-los para este caminho. A base fundamental para a preparação profissional mundial deverá estar centrada na promoção do desenvolvimento e da autonomia dos indivíduos para que estes aprendam agora e continuem a perceber que deverão aprender por conta própria pelo resto de suas vidas.

 

 

As imagens que se seguem ilustram metodologias antigas e modernas utilizadas para ensinar morfologia.  Espera-se que este espaço de comunicação entre a academia, os alunos e a sociedade seja frutífero para todos aqueles que fizerem parte como atores sociais desta época constantemente em mudanças.

 

 

 

 
 DISSECAÇÃO RESSONÂNCIA MAGNÉTICA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA 3D

 

 

     
 MICROSCOPIA DE LUZ

 MICROSCOPIA ELETRÔNICA

DE VARREDURA

 MICROSCOPIA ELETRÔNICA

DE TRANSMISSÃO

 

 

A educação no século XXI

 

                                                                                                                          “Alma alegre é alma aberta para o conhecimento” (Paulo  Freire)

 

A educação superior vive em ambiente de mudanças e melhorias constantes. A profissão docente exige capacitação específica, porque o educador caminha muito além das funções de produzir e socializar o conhecimento. O estudante do presente precisa ter mais conhecimentos gerais sem diminuir o valor das ciências clássicas para estar adaptado às sociedades contemporâneas nas quais é necessário o entendimento do que seja globalização, sustentabilidade e meio ambiente, trabalho de equipe, comunicação, tolerância e política, entre outros temas. É preciso considerar que o estudante que chega ao ensino superior segundo Oliveira (2010a) já acumulou cerca de dez mil horas on line, trocando e vivendo experiências. Isto significa que este sujeito dificilmente se adaptaria a um modelo tradicional de ensino em função do mundo dinâmico no qual vive.

 

O ensino universitário na área da saúde caracteriza-se pela rigidez da linguagem especializada. A morfologia está historicamente vinculada à autoridade intelectual de alguns autores e tem-se baseado na experiência de ensino com grande aplicabilidade de aulas expositivas. A educação enquanto ciência humana está fortemente vinculada ao pensamento crítico e as suas subjetividades. No meio destes conflitos ideológicos encontram-se professores universitários dispostos a trabalhar com metodologias ativas, que são segundo os autores processos alternativos de conhecimento, análises, estudos, pesquisas e decisões individuais ou coletivas, com a finalidade de soluções para um problema. A ideia é que o professor atue como facilitador e o estudante faça pesquisas, reflita, decida por si mesmo, para atingir um objetivo previamente delineado (Oliveira 2010a, 2010b).

 

Em um fluxo contínuo, os alunos se renovam a cada ano na Universidade, incorporam aprendizados de suas áreas de conhecimento e absorvem saberes de um mundo todo interligado. Visualiza-se o ensino como um processo contínuo e não limitado a ambientes de sala de aula. O modo de aprender mudou, o que exige mudança no modo de transmitir conhecimento. Acredita-se que aprender depende do contato do estudioso com o objeto de estudo, e para que isto se concretize as horas de dedicação não devem ser entediantes e cansativas.

 

A equipe da Área de Morfologia está preocupada em imprimir ao ensino metodologias ativas que favoreçam as mudanças no modelo de ensino-aprendizagem que integre as cadeiras básicas com as profissionalizantes, amplie os conhecimentos das Ciências Sociais e Humanas, busque a formação de competências, habilidades e valores, forme profissionais com facilidade de comunicação, trabalhem em equipe, respeitem as opiniões do grupo, sem sobrecarregar o currículo. Desta forma entende-se que o ensino interdisciplinar deva ser fortalecido dentro dos currículos, para que os alunos possam vir a incorporar conhecimento e tecnologias que os habilitem para o exercício profissional, de tal forma que a educação superior influencie na sua formação pessoal e como cidadão.

 

Buscar, atualizar, repassar e facilitar atividades de ensino centradas no estudante fará com que as Ciências Morfológicas, historicamente tidas como especialidades cujo ensino é baseado na memorização e centrado no professor, possam dar um salto de qualidade, no qual o estudante deixará papel de receptor passivo e assumirá o papel de agente e principal responsável pela sua aprendizagem.

 

 Metodologias ativas no ensino de anatomia

Imagens de alunos do Curso de Enfermagem (1º semestre/2013).

 

 

Referências:

OLIVEIRA, G. A. Uso de Metodologias Ativas em Educação Superior. In: Carlos Cecy; Geraldo Alécio de Oliveira; Eula Maria de Melo Barcelos da Costa (Org.). Metodologias Ativas: Aplicações e Vivências em Educação Farmacêutica. 1ed. Brasília - DF: Conselho Federal de Farmácia, 2010a, v. 01, p. 11-33.

OKADA, S. S.; OLIVEIRA, G. A. Currículo Integrado como Base para o Uso de Metodologias Ativas. In: Carlos Cecy; Geraldo Alécio de Oliveira; Eula Maria de Melo Barcelos Costa (Org.). Metodologias Ativas: Aplicações e Vivências em Educação Farmacêutica. 1ed. Brasília - DF: Conselho Federal de Farmácia, 2010b, v. 1, p. 35-55.

 

 

Área de Morfologia
Local: 2° andar, Bloco B da Faculdade de Medicina, Campus Darcy Ribeiro, Universidade de Brasília.
Telefone: +55 (61) 3107-1912 / 3107-1921